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Como identificar uma agressão verbal?

Para identificar uma agressão verbal é aconselhável ficar atento a recorrência de certos comportamentos que, nem sempre, sugerem uma forma óbvia de violência.

Fazendo uso de uma metáfora, podemos dizer que a agressão verbal ocorre como uma erva daninha que cresce sorrateiramente.

Geralmente, não é tão evidente que possa ser percebida nos primeiros momentos.

Ao contrário, ela costuma se confundir com comportamentos normais, brincadeiras e até com demonstrações de afeto — preocupação, amor, cuidado…

Talvez ela fosse menos perigosa se fosse menos velada.

Um grito, um xingamento, logo nos assustam, nos deixam alerta.

Sabemos que indicam algo de errado, um tipo de relacionamento que não queremos — nem com um chefe, nem com um amigo e, muito menos, com alguém que deveria ser nossa melhor e mais íntima companhia.

Sim, gritos e xingamentos aparecem. Mas, antes de chegarem, costumam ser precedidos por muitos silêncios cortantes, interrupções antipáticas e humilhações escondidas em “piadinhas”.

A grande chave para identificar uma agressão verbal é descobrir como você se sente naquela situação.

Por exemplo: se você se diverte com um apelido que, a princípio, seria entendido como depreciativo, ótimo. Mas se o seu bom humor não é legítimo e o apelido machuca sua autoestima, a agressão está presente.

Não se engane, a soma de atitudes verbais que deixa uma pessoa se sentindo “pra baixo”, desencorajada a diálogos e amedrontada com possíveis consequências de brigas, é uma agressão debilitante.

E, se perpetua, causa severos danos à autopercepção daquele que é agredido. Sua identidade fica em risco. Sua integridade física, também.

O que é gaslighting? É uma agressão verbal?

Gaslighting é uma agressão verbal, emocional e psicológica. O termo é utilizado em alusão à peça de teatro “Gas Light” (de 1938), na qual um homem manipula detalhes do ambiente da casa, negando as alterações sempre que sua esposa o questiona — levando-a a crer que está perdendo a sanidade.

Fora da ficção, o gaslighting se manifesta em mentiras, nas quais o agressor insiste como versão legítima da realidade, fazendo a vítima duvidar de sua própria percepção.

Se a insistência nas mentiras, enganos e subterfúgios acontecesse em relações isentas de afeto, provavelmente, não se sustentaria.

Por isso, quem vê de longe acaba vendo melhor.

Mas, quando há um envolvimento amoroso, de qualquer tipo, o lado racional cede.

Para aqueles que consideramos próximos, oferecemos o benefício da dúvida.

O problema é que se nos convencemos de que somos esquecidos, enxergamos coisas que não existem e “escutamos errado”, pouco a pouco assumimos isso como nova verdade.

A dúvida deixa de recair sobre o outro para se tornar um diálogo interno, que questiona a própria saúde mental e emocional.

Inclusive, é possível que, diante do gaslighting, a vítima acabe pedindo desculpas, assumindo a culpa pelo erro.

Em resumo, a vítima de gaslighting sufoca sua voz, perde a crença em seus argumentos, raciocínios e interpretações.

O agressor, por outro lado, adquire confiança na sua estratégia, usando-a como recurso cada vez mais frequente.

E mansplaining, o que é?

Mansplaining (em português, equivaleria a homem + explicando), é uma agressão verbal caracterizada por um ar de superioridade daquele que fala. Como se presumisse que a pessoa que escuta não tivesse grande alcance intelectual, experiência de vida significativa ou informações dignas de nota.

Há um tom professoral ou paternalista por parte de quem explica, falando coisas que a pessoa já sabe (mas como se ela não soubesse), corrigindo (mesmo que esteja certa) e duvidando da credibilidade do outro.

Lily Rothman, editora da revista Time, define o significado de mansplaining como “explicar sem levar em conta o fato de que quem é explicada sabe mais do que quem explica, o que é geralmente feito por um homem a uma mulher”.

Infelizmente, o mansplaining ainda é comum em ambientes corporativos, em relações familiares e conjugais.

Sem confronto, a agressão se torna um comportamento padrão, que será negado ou “justificado” com veemência, caso apontado.

O silêncio é um tipo de agressão verbal?

O silêncio se converte num abuso verbal quando representa uma espécie de punição, mostrando desprezo às necessidades da outra pessoa.

É o bater de porta, que encerra abruptamente a discussão. É a falta de respostas. É a preocupação gerada pelo “sumiço” sem explicações.

O silêncio dói, humilha, ignora pela ausência.

Por isso, pode tantas vezes vencer. Ora, não queremos a ausência de quem amamos.

Então, damos o “braço a torcer”. Mudamos para evitar novos conflitos. Aceitamos culpas que não são nossas.

Tão violento quanto um tapa, um discurso povoado de ameaças ou cobranças, o silêncio causa feridas emocionais profundas.

A agressão verbal, de qualquer espécie, não pode ser minimizada como “jeito” da pessoa se expressar.

Não é normal, não é saudável e não deve ser aceitável.

Quando conversas se tornam um território árduo, que causa sofrimento ou evitação, o relacionamento precisa ser percebido como tóxico.

O bom convívio, certamente, pode ter seus momentos de vozes alteradas, ânimos aflorados ou opiniões divergentes.

O que não pode ocorrer é esse tipo de situação se firmar como regra — imperceptível, no início; determinante do cotidiano, com o tempo.

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